Indagações sobre o Limite

JOSÉ LAÉRCIO DO EGITO - F.R.C.

Antes da creação, onde existia Deus? É uma indagação que pode ser feita? - Num outro mundo! - Na verdade é uma maneira bem cômoda se dizer que existem dois mundos, um imanente contido num outro infinito transcendente, e que Deus existia neste antes da creação.

A admissão da existência de dois mundos distintos gera dificuldade quando se tenta entender o como existir dois mundos interligados sem que exista um terceiro que seria exatamente aquilo que liga os dois mundos. Se existir esse elo de ligação, então, têm que ser considerados três elementos e não apenas dois; o Transcendente, o Imanente, e o “elo de ligação” entre eles. Se não existir um elo de ligação entre os dois mundos, então eles são uma mesma coisa. Se existissem coisas independentes não existiria o absoluto. Aceitar a existência de coisas independentes como partes de algo absoluto requer a existência de um elo qualquer as ligando ao próprio absoluto.

Se existisse um mundo “imanente” e um outro “transcendente” sem que existisse um elo de ligação íntimo entre eles, por certo eles seriam totalmente independentes e, conseqüentemente, nem um e nem o outro poderia ser considerado absoluto. O conceito de independente é essencialmente relativo; algo é independente de outro, em tal ou qual nível, mas jamais em todos os níveis.

Numa outra palestra falamos de uma limitação que o Creador tem e que consiste na impossibilidade de criar o “dois” sem o “três”.

Não podem existir coisas independentes quando existe algum elo de ligação. No Cosmo tudo está unido, entre os dois mundos o elo é chamado de Fohat. Isto é valido, mas nesta palestra o nosso objetivo é abordar este questionamento à luz dos Princípios Herméticos, especialmente clarear mais o “Limite” e a “Unicidade” da existência.

Quando tentamos entender o onde termina um mundo e começa o outro nos vemos diante da importante indagação: Qual é o limite entre os mundos? O que é que estabelece o limite entre cada um deles? - Ou os mundos seriam totalmente independentes, o que anularia o Absoluto, ou existe uma “ponte de união” entre eles. Mas, mesmo admitindo-se a existência daquela “ponte” ainda assim permanece presente a mesma indagação. A pergunta permaneceria sem resposta e caberia esta outra: O termina um mundo e começa a “ponte”, onde esta termina e começa o outro mundo? O que serve de limite tanto à ponte quanto ao mundo? Mesmo admitindo-se que os dois mundos - não só ao mundo quando à qualquer coisa que se considere - fossem independentes a mesma indagação persiste: O que limita os mundos, o que limita as coisas?

Se as coisas fossem independentes entre si não poderia haver intercomunicação de quaisquer naturezas entre elas. Para ser plenamente independentes, é claro que entre elas, deveria existir um vazio absoluto, e no vazio não pode existir propagação de algo. Toda propagação exige um meio no qual ela se processa. Sem alguma forma de união cada coisa seria absoluta em si mesma e como não pode existir mais que um absoluto, então não existe independência plena.

Sempre nos defrontamos com a indagação a respeito do onde termina um mundo imanente e começa o elo, e do onde termina o elo e começa o mundo transcendente. Mas a indagação principal é: O que existe que possa ser considerado como limite entre os dois mundos ou entre duas coisas sejam elas quais forem? Onde termina o mundo imanente e começa o transcendente, o que os limita? Se existisse o elo de união, onde ele começa e termina? O que serve de limite entre o elo e os mundos? Também onde termina o imanente e começa o elo de união, e onde termina este e começa o transcendente. Tem que haver um limite, que limite é este, ele consiste em que?

Para que existam dois mundos é mister a existência de um elo, de uma ponte de união entre eles e isto nos obriga a buscar o onde termina um e começa o outro. Então vem a pergunta: O que estabelece a fronteira entre os dois mundos; o que constitui o elemento limitante?

Vamos analisar a matéria, vamos dividi-la até o nível das mais elementares subpartículas atômicas. Se existem partículas como unidades, então se pergunta: O que estabelece o limite entre uma subpartícula e outra? Um campo de força? Em que se propagaria a força? Num vazio absoluto não, no nada não poderia haver propagação alguma, pois se assim fosse aquele meio não seria o nada. E mesmo assim o que separaria a subpartícula do “nada”? O que separa, ou seja, o que serve de delimitação entre a subparticula e energia, ou entre esta e aquele algo que a antecede? - A própria condição de separação implica na presença de um elemento separador que serve de limite. O que é isto? Se formos dividindo as coisas chegamos até um nível de infinito, o mesmo acontecendo se formos ampliando. Apliquemos este mesmo raciocínio ao tempo e veremos que acontece o mesmo; o que separa um momento de outro momento. Qual a fração mínima de tempo? Na verdade não existe fração mínima de tempo, pois este sempre pode ser dividido até o infinito que é Uno.

O que dissemos a respeito do limite das coisas e do tempo também é valido para tudo quanto existe. Assim sendo vejamos a numeração. Quantos números positivos – maiores que 1 - existem? Quantos números negativos – menores que 1- existem? Quantas frações de número existem, por exemplo, entre 1 e 2?

Temos mostrado muitos casos em que a indagação sobre limite conduz à uma só conclusão: O Infinito. Quando se busca o limite de algo sempre se chega ao infinito. Na verdade não existe algo que possa ser considerado elemento limitante a não ser o Infinito.

O infinito está dentro e está fora de tudo. Na contagem ele sempre está entre dois números quaisquer que sejam eles, inteiros ou fracionários. Tudo o que for fracionado seguidamente chega-se ao Infinito e ser cada fração for por sua vez fracionada chega-se a um infinito de frações. Dentro de cada fração, novas subfrações e assim sucessivamente. Dentro de cada fração existem novas frações sendo o limite desta seqüência apenas o próprio Infinito, por isso se pode dizer que o dentro e o fora do infinito é o próprio infinito, que Tudo é Infinito.

Sempre que alguém faz escalada ela defronta-se com o infinito, não chega à coisa alguma além de Infinito, não passa daí, pois o infinito não pode ter limite algum, pois se o tivesse ele deixaria de ser infinito para se tornar finito. O Infinito simplesmente é sem limite por ser ele o limite, o limite de si mesmo. Esse tipo de análise nos conduz à uma única à conclusão lógica: Só existe uma coisa, o Infinito, tudo o mais são aparências, são ilusões, são o “mundo de maia”.

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Explorando o NADA

JOSÉ LAÉRCIO DO EGITO - F.R.C.

Na tentativa de desvendar a origem do universo físico, a ciência tem especulado a respeito do que existia antes, ou sobre a fonte original. Durante muito tempo foi dito que ele teve origem do "nada", mas isto leva à indagação: O que é o nada? - A esse respeito vejamos o que nos diz a ciência atual sobre aquela condição chamada de "nada". Assim transcrevemos um excelente artigo que situa o pensamento dos físicos quânticos, escrito pelo comentarista cientifico Manoel Barbosa, publicado com o título de Tecnologia do Conhecimento no jornal Diário de Pernambuco em 1995.
A inesgotável riqueza do nada:

"O 'nada' - ou os vazios quânticos - é uma das principais preocupações da ciência, atual. No 'nada', desconfiam os cientistas, parece está a matriz do Todo. Ou de tudo. Ou do universo material em que vivemos. 'O vazio está cheio de alguma coisa que não é matéria', define Henri Laborit, biólogo francês conhecido pelo seu materialismo radical e a intolerância com as tendências místicas de alguns cientistas. No vazio quântico há tudo e nada, ao mesmo tempo. Alguns físicos simplificam a questão e dizem que no vazio/nada há 'informação' assim pensava o brasileiro Mário Schemberg. Laborit considera essa definição insuficiente e dá uma explicação mais elaborada para o conteúdo do 'nada': 'Variações de campos elétricos provocados pelo epicentro da matéria e que persistem quando a matéria já lá não está'. Outro físico, David Bohm, fala de 'ordem implícita'. Ele quer dizer: a matéria está implícita no 'nada'- no vazio há pré-forma; é o molde invisível do molde visível - que somos nós e asCoisas. Beneviste, pesquisador francês, provou que a matéria tem memória. Realizou experiências mostrando que, quando a matéria deixa de existir num ponto, ficam os vestígios. Até água deixa esses vestígios - ou memórias. As experiências de Benveniste foram testadas em vários laboratórios e os resultados comprovaram a afirmação, à primeira vista fantástica[1]. Burr e Sheldrake, dois biólogos, dizem ter identificado 'campos de vida', ou campos morfogenéticos. É mais ou menos como a "ordem implícita" de Bohm no reino biológico: cada organismo teria uma pré-forma da qual os genes seriam apenas mensageiros materiais. Esse conceito também é chamado de 'modelo organizador biológico'. Einstein, no seu intuicionismo avassalador, pensou ter identificado no universo essa força invisível contida no 'nada' - a ordem implícita de Bohm - e a incluiu num sistema conhecimento como 'constante cosmológica'. Desacreditada - e até repudiada pelo próprio Einstein, depois - a constante foi recentemente reabilitada com as descobertas do Telescópio espacial Hubble. Aliás, com a não descoberta, pis o Hubble não detectou a chamada 'massa invisível'. Essa massa era a explicação dada pelos astrônomos para ocorrências cósmicas inexplicáveis pelo volume de massa visível. Ou seja: a massa detectável no universo não bastaria para produzir o próprio universo. Deveria haver massa oculta e que constituiria 90% de todo o cosmos. O Hubble demoliu essa crença e pôs no seu lugar uma explicação parecida com a constante cosmológica. A de que há alguma coisa muito poderosa no "nada" dando origem ao todo - e muitos até a estão chamando de Deus. Para o físico inglês Stephen Hawking isto não é novidade. Ele já vem falando da 'mente de Deus' para justificar o comportamento da matéria que volta para o "nada" pelas goelas dos insaciáveis buracos negros e atravessa a barreira do tempo".

Vemos, então que a própria ciência, com embasamento matemático, nega a existência de um "nada absoluto", quando afirma existir algo indefinível, indetectável, inefável, fonte de "informações" além do Universo. Este pensamento da ciência moderna está em conformidade com o pensamento dos místicos de alto nível de todos os tempos, especialmente os orientais, habituados à meditação sobre conceitos metafísicos elevados. É exatamente num nível além do universo, ou seja, naquele "nada quântico" referido pela ciência atual, que eles colocam Deus, o Poder Superior Criador.

A fonte de todo o conhecimento, o propósito primeiro de tudo quanto foi criado, e mesmo daquilo que ainda não foi criado, existe ao menos como "informação" na citada "Inesgotável Riqueza do Nada", pois ali tem tudo e tem nada. A ciência tem usado outras expressões para indicar o que transcende o mundo das partículas constitutivas do universo detectável. Para isto usam muitas expressões, entre elas: "Pré-forma da forma" ou "Ordem Implícita" de Bohm, ou "Modelo Organizador". Essas expressões são irrelevantes porque nomes específicos não modificam as conclusões o que importa é que além da estrutura da matéria existe uma fonte de consciência.

A própria ciência tem indagado sobre coisas abstratas como pensamento e consciência, indagado também se o próprio pensamento também é feito do "nada". Para a filosofia perene - o conjunto do saber antigo, originado no oriente - a consciência é o próprio "nada". Psicólogos - freudianos e comportamentais, neuro-fisiologistas, e biólogos têm tentado em vão identificar a substância mental e a sede da consciência. Ai surge uma outra dúvida: a consciência é uma propriedade apenas do ser humano ou os animais, e a própria matéria, também a tem? No caso, a consciência - como a mente - seria algo especial, substrato do Todo, ou apenas produto de interações neuro-quimicas de um organismo? Isto para a ciência ainda é um mistério insondável embora que para o místico seja algo bem claro - a consciência é um aspecto do próprio Poder Superior. O que também queremos enfatizar é, mesmo que tudo isto sejam reações da própria matéria biológica, ainda assim o potencial já estava implícito na origem. Desta forma todas as reações dos seres vivos nada mais são do que exteriorizações implícitas na fonte da própria energia que originou todo o universo, portanto não se tratam de algo inerente ao mundo objetivo, de algo gerado pela matéria, mas sim apenas de algo manifestado através dela.

Técnicos que buscam criar inteligência artificial (organismos cibernética) não desistem do propósito de construir máquinas conscientes e se isto chegar a ser possível, a questão está respondida dentro da conceituação mística; "Onde quer que se faça presente uma estrutura apta a manifestar consciência ela ali se fará presente, desde que se trata de um Poder que inunda todo cosmos".

Um dos maiores pesquisadores na área da "inteligência artificial", John Mc Carthy, acredita que dentro de algumas gerações as máquinas comportar-se-ão como se tivessem cérebros iguais aos cérebros humanos, e que não está distante o tempo em que elas serão dotadas até mesmo de paixões e sentimentos.

Ao místico não causará espécie se isso vier a acontecer, desde que tal coisa não invalida a idéia da existência de um Poder Superior, bem pelo contrário, será um reforço à idéia de que existem manifestações de algo absoluto, presente em todos e em tudo. Se tal vier a ocorrer, uma máquina dotada de inteligência a mencionada qualidade não será algo inerente à máquina e sim a algo manifestado através dela, algo que procede da "Inesgotável Riqueza do Nada", do "Vazio que está cheio de alguma coisa que não é matéria", daquele chamado "Vazio Quântico" - denominações dada pela ciência -. Isto é básico na metafísica espiritualista que considera a consciência como sendo um dos aspectos do próprio "nada", e se manifesta onde quer que exista algo, e segundo o modo peculiar de cada coisa. Assim sendo ela se manifesta de uma forma numa pessoa humana, de uma outra num vegetal, num mineral, ou mesmo numa máquina, desde que tudo é mente no universo, portanto tudo tem consciência.
elementos da creação

Partículas da creação
A teologia se divide em duas correntes: Dualista e Monista. As religiões que podem ser consideradas monistas estritas são exatamente aquelas que falam de uma causa primeira, abrangente, imanente em todas as coisas, de onde tudo proveio e para onde tudo voltará, causa esta que tanto está no universo quanto fora dele, e assim sendo totalizando exatamente o "nada". O dualismo considera a existência de distintas coisas no universo, mas isto vai em oposição ao que a ciência tem como certo, a existência da criação a partir de um ponto único, o mesmo que afirmam muitas religiões, em especial aquelas que derivaram dos Vedas.
As religiões místicas, predominantemente orientais, falam e um Deus metafísico. É o Deus das religiões orientais, Deus dos filósofos, tanto que chamá-lo de Deus pode ser considerado um engano por não se tratar de um "ente" mas um "princípio". É o principio do ser imutável, ao mesmo tempo em que é, também, a fonte de todo o porvir, a fonte de toda atividade, o UM do qual procede toda multiplicidade, e que na China é chamado Tao, o "Caminho", na Índia de Brahmân, o imutável, e em algumas doutrinas Poder Superior, ou o "Deus de Spinoza" o Uno, o que não depende de nada, livre de sentimentos e paixões, que está dentro, que é infinito, conteúdo e continente de tudo quanto há.

A ciência, com embasamento matemático nega formalmente a existência de um "nada" absoluto, quando afirma existir algo indefinível, indetectável, inefável, fonte de "informações" além do Universo objetivo detectável. Este pensamento da ciência moderna está em conformidade com o pensamento dos místicos de alto nível de todos os tempos, especialmente os orientais, habituados à meditação sobre conceitos metafísicos elevados. É exatamente num nível além do universo, ou seja, naquele "nada quântico" referido pela ciência atual, que eles colocam Deus, o Poder Superior.

Numa máquina dotada de inteligência esta não será algo inerente à máquina e sim a algo que apenas se manifesta nela desde que, se tudo faz parte da "Inesgotável Riqueza do Nada", do "Vazio que está cheio de alguma coisa que não é matéria", daquele chamado "Vazio Quântico" - denominações dada pela ciência-. Isto é básico na metafísica espiritualista que considera a consciência como sendo um dos aspectos do próprio "nada", ou, indo mais longe, ela é o próprio "Nada", ou Poder Superior - termo religioso - que se manifesta onde quer que exista algo e segundo o modo peculiar de cada coisa. Assim sendo a consciência se manifesta em tudo quanto existe, mas de uma forma peculiar em cada coisa; de uma forma numa pessoa humana; de uma outra maneira num vegetal, num mineral, ou mesmo numa máquina. Já dizia Hermes, "Tudo é Mente" ou como as doutrinas védicas afirmam "O Universo é Mental". Sendo assim, desde que tudo é mente no universo, logo tudo tem consciência nas devidas proporções.

As religiões que podem ser consideradas monistas estritas são exatamente aquelas que falam de uma causa primeira, abrangente, imanente em todas as coisas, de onde tudo proveio e para onde tudo voltará, causa esta que tanto está no universo quanto fora dele, e assim sendo totalizando exatamente o "nada".

No primeiro livro que editamos falamos de psicólogos e de consciência celular. Na época da primeira edição essas afirmativas eram consideradas heréticas, mas hoje é a própria ciência, em especial cientistas adeptos da física quântica, que isto Este livro está mais direcionado àquilo que está por trás do miasma, e isto nos leva a analisar com detalhes as propriedades do intelecto, da memória e do pensamento, o que será feito em um outro capítulo. Alguns metafísicos, filósofos, e cientistas indagam se o pensamento também é feito do "nada"? Para a filosofia perene - o conjunto do saber antigo, originado no oriente - ela é o próprio "nada". Indagam o que é o pensamento e em que ele se diferencia da consciência.

Como mencionamos antes, os neurofisiologistas e psicólogos têm em vão tentado identificar a sede da consciência, sem que até agora hajam chegado ao menor indício de sua localização. Mas, podemos afirmar que sejam quais forem as circunstâncias, a consciência e assim também todas as qualidades inerentes à mente, pré-existem, isto é, antecedem à forma, pois que antes de qualquer estrutura tudo já estava implícito no ponto gênese do universo. Como não existiram dois pontos de origem, então não se pode negar que tudo quanto há e se manifesta de alguma forma, já estava reunido numa só condição - ponto primordial da criação - conforme o Big. Bang (Fiat Lux) que se desdobrou em miríades de coisas. Houve uma fragmentação colossal atingindo não apenas da energia, mas também todas as condições imateriais existentes. Embora isto seja um mistério insondável para a ciência oficial não o é para os pensadores metafísicos e místicos.

Analisando esse tipo de questionamento, o neurofisiolgista Kant Klavans chama a atenção para uma dessas características, a "prioceptividade inconsciente" que se refere ao modo como o corpo sabe como cada uma de suas partes ocupa um espaço. Seguindo essa idéia muitos biólogos preocupam-se com outra questão
A visão unista difere da dualista apenas no que diz respeito à objetividade. No dualismo Deus se manifesta objetivamente como polaridades, enquanto que no unismo como potenciais em que não há polaridades, pois o que é uno não pode comportar polaridade alguma.

Dizem as Doutrinas Tradicionais Antigas: A Consciência Cósmica, no processo do "ver a si mesma", se projeta sob dois aspectos: Um, que consiste na creação de "espelhos" para nele se refletir - coisas limitadas e fragmentárias que refletem leis e princípios, ou seja "substratos" nos quais ela se manifesta - e outro, que consiste no aspecto "Purucha" que é a própria consciência essencial - "dando conta de si mesma" a partir dos elementos constitutivos do outro aspecto "Prakriti".


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Notas:

[1] - De inicio as conclusões de Beneviste foram muito criticadas, e ele até mesmo afastado dos meios científicos. No entanto muitos pesquisadores silenciosamente deram continuidade ao trabalho daquele cientista, chegando às mesmas conclusões e até mais. No Brasil na UNICAMP este assunto em sido pesquisado com muita seriedade e as conclusões comprovam o que Beneviste afirmou com relação à água.

Esta matéria faz parte do livro: HOMEOPATIA - Conceitos Filosóficos - Visão Metafísica da Angústia existencial.
Onde adquirir:
Editora ROBE Tel. (011) 220.6620 e 221.2187


BIBLIOGRAFIA.

BOHM, David - Ordem Implícita e Ordem Superimplícita.
Diálogos com Cientistas e Sábios - Cultrix - S. Paulo
CAPRA, Frijof - A Teia da Vida - Ed. Cultrix - São Paulo
EINSTEIN, Albert - ´The meaning of rrelativity - 5ª Ed. Princeton University Press.
KRISHNAMURTI / DAVID BOHM - O Futuro da Humanidade - Edt. Cultrix - S. Paulo.

Do NADA ao TODO


" A imaginação é mais importante
que o conhecimento."
Albert Einstein

JOSÉ LAÉRCIO DO EGITO - F.R.C.


Universo Criado

Figura 1
Já falamos em artigo anterior sobre o NADA como fonte de tudo quanto há. Visando facilitar o entendimento sobre conceitos concernentes à natureza e origem do Universo consideremos a origem Deste mundo objetivo a partir de um nível transcendente, conforme representado na fig.1, que mostra esquematicamente a creação do universo.

Como já mencionamos no artigo anterior, os cosmólogos se dividem no tocante à origem do universo, havendo os que dizem que ele sempre existiu, em contraposição com os que admitem que houve um início. Na segunda metade do século XX a hipótese mais aceita foi a do Big Bang [1], que diz haver ocorrido um momento em que a partir de um ponto, que chamam de singularidade, o universo foi Creado [2]. A isto as religiões chamam de Deus; os agnósticos chamam de "nada absoluto"; os físicos quânticos chamam de "nada conceitual". Além desse ponto a ciência é totalmente incapaz de responder o que existe, quando muito ela diz não ser um "nada absoluto" e a respeito do que o físico David Bohm afirma: "Onde não há nada há informação".
Conceituamos essa origem como Transcendência e que representa a Consciência. Consciência não no sentido comum como é usado vulgarmente, ou seja, no sentido de "se dá conta de", mas sim no de um Poder Creador e Creador [3] - mantenedor - de tudo quanto há, que sob diferentes aspectos se faz sentir em tudo, quer na energia, quer nas partículas, nos átomos, nas células, nos seres estruturados, nos planetas, estrelas, e nas galáxias, em suma, em tudo o que se possa referir.

Em nível de Transcendência, ou do "antes creação", a Consciência sempre existiu como eternidade, neste sentido ela é ilimitada, embora que sempre se manifeste limitadamente no mundo imanente. No infinito - continente - tudo está contido - conteúdo - A consciência está no próprio infinito assim como tudo quanto existe, pois não se pode conceber um infinito com algo existindo fora dele. Com apoio nesta assertiva podemos dizer que este universo pode ser considerado um dos elementos finitos do absoluto; um limitado "dentro" do ilimitado. O que queremos agora afirmar é que na creação o absoluto fez transparecer o seu aspecto relativo como algo limitado. A própria ciência cosmogônica tem como certo que aquilo que conceitua como universo tem um limite, no qual toda a energia e matéria estão circunscritas dentro de um espaço cujo raio (presumível) mede entre 13 e 20 bilhões de anos luz.

Podemos agora falar da existência de dois níveis, um transcendente (o que pré-existe à creação) e um Imanente, (conhecido como creação) que recebe este nome por estar contido naquele de onde se originou.

Enquanto o Mundo Transcendente é constituído por uma só coisa, por algo indefinível, que não sabemos de que consiste, e que apenas podemos dizer que ali é a fonte una da consciência pura e ilimitada, por sua vez, o Mundo Imanente é caracterizado por miríades de coisas em nível de estruturas físico-energéticas e também de qualidades mentais, ou psíquicas. São nas estruturas físico-energéticas que se manifestam as condições mentais, os estados psíquicos. Trazendo esta conceituação para o nosso plano existencial podemos entender porque o ser humano é considerado um ser dual, constituído de mente e corpo.

Consideramos importante este preâmbulo a fim de que o desenvolvimento deste trabalho possa ser mais bem compreendido. A consciência gerou este mundo no qual ela própria se manifesta como mente através das coisas.

Inicialmente vamos analisar alguns aspectos dos dois mencionados "mundos" levando em conta o que há milênios os orientais dizem desde o período védico que, segundo alguns, data de quatro mil anos (versão historicamente aceita) e segundo outros quarenta mil anos, a fim de esclarecer bem o que pretendemos visando esclarecer o que vem a ser a angústia existencial.

Como as pessoas tendem a compreender melhor aquilo que é mostrado em nível de dualismo, então, vamos desenvolver este tema segundo este modelo, pois esta visão facilita mais à compreensão das pessoas cuja mente funciona analogicamente.

Segundo as Doutrinas Tradicionais, houve o surgimento de uma Luz no início dos tempos (tempo cronológico, tempo linear, pois o tempo absoluto é eterno, portanto não tem início). No início deste universo manifestou-se algo que a ciência chama de energia e as doutrinas chamam de Luz. Aquele algo que a ciência intitula de energia primordial existente num estado chamado de "singularidade" é idêntico àquela condição que as doutrinas oriundas do pensamento védico chamam de "Brahma"; as Judaico-cristãs, de "Deus Pai" e assim por diante.
elementos da creação

Ilustração 2
Analisemos a ilustração 2. Nela vemos as duas condições, os dois "mundos" o transcendente e imanente. A transcendência é o "nada quântico" que é considerado como sendo a Consciência Suprema, a Consciência Cósmica, que por transcender o ponto de origem do mundo imanente é considerada Una. Não existem duas consciências porque na transcendência Tudo é Um.
O que dizem as doutrinas tradicionais desde a antiguidade? - A Consciência Creadora gerou duas condições distintas em manifestação, a partir de uma em essência única cujos respectivos nomes são Purucha e Prakriti[4]. Como tudo procede do Um, então Purucha e Prakriti têm uma mesma origem da qual a primeira representa a consciência imponderável, e a segunda a consciência - energia - estruturada em todas as coisas objetivas. Ambas as condições são diferentes aspectos de manifestação de algo único que é a consciência

A consciência una para se manifestar no mundo imanente teve que se estruturar. A consciência essencial - purucha - para se manifestar requer algo, um "espelho" no qual possa refletir suas qualidades. Isto é o que se pode constatar logicamente. Sem sombra de dúvidas, qualquer expressão de consciência somente pode ser detectável através de algo, por conseguinte, a Consciência Cósmica para se manifestar objetivamente necessitou crear as coisas que constituem o universo físico, e isto, conforme o pensamento dos antigos filósofos gregos, se fez sentir primariamente mediante os quatros elementos: Fogo, Água, Ar, e Terra[5].

Nesse processo fica evidente que a partir da unicidade se estabelece a multiplicidade, gerando-se assim dois aspectos de manifestações perceptivas da "Existência Una". A primeira consiste no percebê-la como natureza primordial, isto é, como unicidade - Unismo - e a segunda percebê-la como descontinuidade - Dualismo - ou seja, como uma ilusória fragmentação do Uno. A multiplicidade é a condição que predomina quase totalmente na mente dos seres que integram o chamado "mundo Imanente", a creação.

O Unismo encara a existência como uma realidade única, aquele ponto citado nas Cosmogonias, origem de todas as expressões de existência. Aquele ponto, de uma certa forma pode ser conceituado como Deus, Brahmâ, Lei Primordial, Ordem Implícita, Nada Quântico, e assim por diante.
A visão unista difere da dualista apenas no que diz respeito à objetividade. No dualismo Deus se manifesta objetivamente como polaridades, enquanto que no unismo como potenciais em que não há polaridades, pois o que é uno não pode comportar polaridade alguma.

Dizem as Doutrinas Tradicionais Antigas: A Consciência Cósmica, no processo do "ver a si mesma", se projeta sob dois aspectos: Um, que consiste na creação de "espelhos" para nele se refletir - coisas limitadas e fragmentárias que refletem leis e princípios, ou seja "substratos" nos quais ela se manifesta - e outro, que consiste no aspecto "Purucha" que é a própria consciência essencial - "dando conta de si mesma" a partir dos elementos constitutivos do outro aspecto "Prakriti".


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Notas:

[1] - Existem algumas variantes da Teoria de que houve um princípio. A própria teoria do Big Bang, embora ainda seja a mais aceita na atualidade, ainda assim está sendo substituída por outras mais satisfatórias. Uma destas é a do Biocosmos, que na verdade tem um bom embasamento filosófico que a torna bem próxima do que afirmam algumas doutrinas e em especial do que já era mencionado nos Vedas.

[2] - No misticismo se usa o verbo crear no sentido de gerar e Criar, no sentido de manter. Na gestação a mãe crea o filho e o cria quando amamenta, etc

[3] - Crear = Gerar. Criar = cuidar. A mãe gera o filho no útero e o cria no lar.

[4] - Termos sânscritos.

[5] - As Doutrinas Tradicionais incluem mais um elemento, o Akash, mas na verdade existem mais dois elementos além destes.

Lógicas relativas

PEREGRINI SANTIAGO

"A própria razão é uma condição subjetiva, fruto do mundo objetivo e estabelecido pela observação dos fenômenos. A razão não é algo absoluto e sim algo relativo à mente, algo formado a partir das relações entre as coisas que constituem o mundo individual."
 — José Laércio do Egito.

O Universo é um meio complexo formado por cores, formas, densidades, relações espaciais e massas organizadas sob as mais variadas combinações. O mundo é a representação imagética do alcance perceptivo e conceitual dos seres, sobremaneira ancorada a sistemas de códigos sociais, os quais, inclusive, ditam e delimitam o racional.

Em geral a razão é definida como a “capacidade de distinguir o verdadeiro do falso”. Ora, visto que o mundo não é efetivamente o que vemos e sentimos, então, ele é falso. Sendo assim, como poderia ser imutável a razão? A racionalidade está condicionada à capacidade pessoal de distinguir o verdadeiro, ou seja, está fundamentada em imagens mentais flutuantes e inconsistentes, variáveis também em função da perspectiva vibratório-dimensional em que esteja o indivíduo. A lógica expõe como o ser deve pensar racionalmente, mostrando igualmente quais as condições de um pensamento “coerente” e de “bom senso’. Tudo isso seria perfeito, caso o “bom senso” se baseasse numa análise essencial e invariável dos objetos do mundo. Contudo, qualquer análise “racional” está sujeita aos limites projetivos das apreciações mentais, como temos dito. O objeto analisado é apenas uma construção mental oriunda, de um lado, da percepção espaço-descontínua efetivada pelo limite do alcance da percepção, do outro, da rede conceitual internalizada como paradigma de existência. Após a observação de determinado fenômeno, a mente, baseada, sobretudo, no padrão circunstancial repetitivo do alvo em análise, conclui que existe uma lei inexorável à qual o objeto está sujeito. Ao mesmo tempo, a percepção estabelece relações semântico-sociais entre a imagem do objeto, a sua materialidade, a sua posição espacial e o conceito adequado à sua representação simbólica. Quando esta relação é harmônica, diz-se que existe coerência em dado fenômeno ou relativamente a determinado objeto.

Com efeito, existe uma forte identificação entre a o objeto ou evento observado e a sua repetição como fenômeno. Então, a “razão” é oriunda não de uma suposta dimensão lógica exterior à mente, mas de uma necessária inter-relação entre o elemento percebido ou raciocinado e o seu padrão de recorrência. Por conseguinte, qualquer enunciado de determinada lei é necessariamente uma expressão de um paradigma observacional ancorado em limites variáveis de observação. Todas as leis universais são ilusórias a rigor, mas verdadeiras relativamente. São irreais de fato, mas reais para os observadores adequados às circunstâncias favoráveis para a sua racionalização. Nenhuma lei catalogada pode ser “verdade absoluta”, pois requer parâmetros para manifestar-se. Ao nível profundo-absoluto, existe, contudo, Uma Única Lei, a qual dá origem a todas as outras, secundárias, ilusórias e impermanentes.

Um objeto que for lançado para cima tende a cair, devido, de acordo com as observações experimentais e a lei da Gravitação Universal. Com efeito, é algo “lógico e racional”. Aceitar isso é atender à razão, por ser o que sempre acontece em decorrência de uma lei física. Mas isso somente é razoável porque se repete constantemente e se repete porque atende a uma condição inerente à matéria. Bastaria, hipoteticamente, que se neutralizasse a gravidade e o corpo já não cairia e, então, o fenômeno “deixaria de ser razoável” e tudo se passaria como se fosse um atentado à razão. A partir deste exemplo, podemos sentir que a lógica se baseia, a rigor, em resultados da observação de um fenômeno repetitivo, sob circunstâncias adequadas. Um corpo atirado para cima deve cair, isso se repete, portanto, é aceitável, lógico e válido, desde que não surjam outras condições que alterem o resultado. Se novas condições forem estabelecidas, será preciso também uma nova lógica para atender ao fenômeno, mesmo que esta lógica, momentos antes, fosse uma condição absurda por ser uma discrepância à regra geral.

A este respeito, vejamos o seguinte: se não se conhecessem condições capazes de modificar o resultado esperado da força de gravidade sobre a matéria, seria um milagre se qualquer alteração inesperada ocorresse durante a queda de um corpo. Se um corpo deixasse de cair não seria razoável, seria algo completamente ilógico. Se, no passado, um foguete se libertasse da Terra e não caísse depois de esgotado o seu combustível, isso, por certo, seria um atentado à razão, portanto, um milagre, um fenômeno capaz de ser considerado ilusório ou fantástico, por contrariar a lógica experimental. Mas, quando se soube que, além de certo nível de aceleração, a gravidade de um corpo [como, por exemplo, um planeta] não é mais capaz de manter presa uma determinada massa, o padrão de recorrência lógica do fenômeno gravitacional passou a apresentar outro nível de possibilidade.[1] Então, apenas com esse dado a mais, a razão inicial mudou consideravelmente. Aquilo que poderia ser “milagre”, “algo sem lógica”, por contrariar o “bom senso”, algo que não deveria ser aceito, passou a ser aceitável e lógico.

A razão, portanto e ao contrário do que muitos afirmam, é uma condição subjetiva[2], resultante da interação observacional do ser com o Universo, cuja existência é estabelecida pela observação dos fenômenos. A razão não é uma condição absoluta, mas relativa ao alcance mental de cada faixa perceptiva do Universo. A razão é um produto intelectual inerente ao mundo incompleto e limitado dos seres, ela nunca é a atualidade do verdadeiro mundo em essência. A razão somente atende àquele mundo que a espécie humana tem como “verdadeiro”, mas não atende a qualquer outra realidade fora dele. Como a verdade sobre o mundo está condicionada a interpretações e a análises limitadas, as relações entre nós e os objetos devem ser limitadas também, de modo que a razão nunca é plenamente confiável e indica necessariamente uma verdade dentro dos limites do intelecto, sob circunstâncias fenomenológicas flutuantes. Assim sendo, outros estados especiais de percepção não podem ser medidos segundo os padrões da lógica comum, pois são originários de outro patamar racional.

Na realidade, a razão é apenas um padrão mental de previsão de resultados. Resultados apenas das interações entre elementos objetivos, considerados “reais” no universo pessoal ou mesmo no coletivo, mas não no absoluto. A razão apenas é óbvia porque as pessoas possuem muitas percepções semelhantes, das quais resultam “realidades mais ou menos idênticas”. Além disso, ressaltemos que, mesmo em relação ao padrão de recorrência de determinado fenômeno em certa faixa vibratória do Universo, pode haver um grau expressivo de probabilidade da não-realização do fenômeno abordado. Então, sob este ângulo, visto que o ser não consegue perceber a totalidade quantitativo-fenomênica do evento mesmo em seu nível dimensional esperado, existe um relevante índice para o desvio imprevisível do acontecimento, supostamente eterno. Nesse sentido, a impossibilidade de um mesmo ser observar e analisar eternamente determinada lei natural confere ao evento certo caráter probabilístico, em última análise. Evidentemente, a lógica se nega a ver numa lei natural apenas um “alto padrão de recorrência”. Mas as observações nunca são totais, apenas parciais, no tempo, no espaço e na descontinuidade do limite perceptivo de cada nível mental. Note-se que não pretendemos negar a razão, mas sim deixar claro que ela é relativa àquilo que se observa, além de imperar apenas dentro de certos limites dimensionais, onde deve ser observada com rigor, porém, perde todo o seu significado ante outras realidades abordáveis, através, sobretudo, de estados psíquicos superiores. 

A razão é um guia para a análise intelectiva das relações entre os seres e os elementos do Universo, mas, mesmo nesse campo, ela deve ser aceita com certa cautela, porque não se conhece a natureza íntima das coisas. Possivelmente, muitas variantes existenciais não são consideradas, de modo que a lógica torna-se um fundamento racional parcial ou até duvidoso. Por exemplo, segundo a Física, portanto, segundo o “bom senso e a lógica aceita”, não se podem admitir velocidades superiores à da luz [300.000 km/s], de modo que tudo aquilo que parece ultrapassá-la deve ser descartado. Tudo o que se descreva em relação à velocidade acima daquele limiar é considerado “ilusão” ou “fantasia”. Mas, talvez, isso possa estar acontecendo, mesmo que “contrarie” princípios naturais aceitos pela Ciência, a qual tem se confrontado com situações que parecem contrariar o limite daquela velocidade. Existem alguns indícios da existência de partículas que se deslocam com velocidades superiores à da luz e, se for assim, devem existir outras leis, capazes de, no futuro, modificar os conceitos aceitos atualmente, mesmo sem invalidar, porém, os princípios da Relatividade. Isso é algo extremamente significativo, pois vem demonstrar que a razão não deve ser considerada “algo absoluto”, “imperando soberanamente em todas as situações”. Deve ser acatada somente dentro de certos parâmetros, os quais podem apresentar algum índice de variação. Embora possa haver velocidades superiores à da luz, mesmo assim, os postulados relativísticos não devem ser posto de lado. Na verdade, devem ser considerados como “exatos”, mesmo que relativos a determinadas condições fenomenológicas

A lógica é uma condição ligada a cada dimensão do Universo.[3] Determinamos as coisas, estabelecemos leis e princípios. Isso seria exato, se elas fossem totalmente conhecidas, em extensão e em profundidade; se todas as relações entre os elementos constitutivos do Universo fossem totalmente conhecidos. Então, a lógica que se estabeleceu a partir disso seria absoluta, portanto, incontestável. Mas, na verdade, temos apenas uma imagem muito tênue e diminuta do Universo, conhecemos somente uma pequena parte dimensional da existência, o que faz com que a lógica só deva ser aplicada aos limitados princípios observados. Esses princípios jamais esgotam a totalidade dos fenômenos universais. Como o ser humano só se dá conta daquilo que observa e concebe, a lógica conhecida serve apenas como base referencial para fenômenos materiais e energéticos que estejam dentro de restritos limites de observação.

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[1] A título de exemplo, no caso do planeta Terra, o nível de aceleração mínimo a partir do qual nenhum corpo consegue retornar [sem propulsores artificiais] é de 11,2 km/s.

[2] Objetivo: aquilo que pode ser detectado pelos sentidos ou por instrumentos. Subjetivo: aquilo que somente pode ser detectado pela mente. 

[3] Quanto às múltiplas lógicas conforme o nível de realidade, citamos, in extenso, as palavras de José Laércio do Egito, em trecho do tema 0.062 ["A razão e a lógica no Universo"]: "[...] Existem outras 'realidades'. No universo, há níveis existenciais distintos de tudo aquilo que Ciência oficial conhece, dos quais o místico não tem dúvidas quanto à existência. São outros planos de vida, situados bem além do patamar da matéria densa e que são tão reais quanto os citados. As coisas manifestáveis constituem o mundo material, que está representado pela Tríade Inferior da Árvore da Vida. Existe o plano astral [inferior], integrando a segunda Tríade da Creação. Também existe o mundo do intelecto puro, o mundo mental ou espiritual, integrando a Terceira Tríade, a Tríade Superior. A Cabala designa esses três mundos, respectivamente: MUNDO DIVINO DE ASSIYAHMUNDO DIVINO DE YEZIRAH e MUNDO DIVINO DE BERIAH.  Além desses três mundos, existe somente o mundo do Imanifesto, o mundo de onde tudo emana, pelo que é denominado também de MUNDO DA EMANAÇÃO, ou MUNDO DIVINO DE AZILUT. As leis físicas conhecidas e a lógica se aplicam apenas ao Mundo de Assiyah, [ou seja], ao mundo material, onde vivemos, integrando a Tríade Inferior, mas não se aplicam e nem sequer têm sentido nos mundos superiores."

Contato: peregrinisantiago@yahoo.com

Divulgação e restrição dos ensinamentos herméticos

PEREGRINI SANTIAGO

"Os lábios da Sabedoria estão fechados, exceto para os ouvidos do Entendimento.”
— O Caibalion.

Há muito tempo, constatamos que, não todos, mas a maioria dos estudantes do misticismo ainda não consegue perceber a importância maior da transcendência da matéria e até mesmo do ego e dos seus alegados "poderes desenvolvidos". Quando entram em contato com as Ordens ou outras organizações afins, quando começam a estudar os fenômenos psíquicos (telepatia, pré-cognição, projeção astral, etc.), se dão conta de que tais práticas sempre estão ao alcance, pois somos seres mentais. Assim, tendem com frequência a ficarem progressivamente fascinados com o despertar de muitos dos poderes até então latentes.

Diversos estudantes, fascinados, veem nas práticas místicas possibilidades de não apenas desenvolverem outros níveis de suas percepções, mas também de se crerem "superiores" aos outros, eventualmente desejando subjugá-los! Por estarem em tão intenso envolvimento com os poderes do ego, os quais, porém, são ilusórios, de modo a recrudescerem a prisão na existência, passam a intensificar a busca não como um meio para se libertarem das ilusões e sofrimentos impostos pela mente, mas sim como formas para se destacarem em seus pretensos poderes. Isso ainda ocorre na maioria dos casos. 

São poucos aqueles que já perceberam que, embora o despertar dos poderes psíquicos seja relevante para, por exemplo, expandirem a percepção e vivenciarem intensamente a multidimensionalidade do Universo, o mais relevante é a superação de todos os envolvimentos gerados pelo ego, isso incluindo a superação da busca de benesses pessoais por poderes desenvolvidos. A este respeito, sabemos que toda cautela é relevante, pois os conhecimentos místicos ainda não apenas são incompreendidos por muitos, como também distorcidos. Nesse sentido, a preservação estratégica desses conteúdo é sempre razoável, sem, porém, indicar restrição absoluta, pois a Sabedoria Arcana pertence à Humanidade, não a esta ou àquela organização.

Há séculos, inspirados por determinadas egrégoras, determinadas pessoas têm atuado neste planeta objetivando não apenas transmitir elevados conhecimentos metafísicos, mas também orientar estudantes. Sabemos que atualmente existe uma discreta organização místico-filosófica que tem atuado discretamente no planeta Terra para transmitir elevados ensinamentos aos sinceros busca-dores. Para tanto, tem utilizado determinados meios de transmissão dos ensinos, os quais não são os mesmos, devido a alguns fatores didáticos, parte dos quais expomos rapidamente neste texto. Antes, falamos, sem entrar em maiores detalhes, a respeitos dos "tipos" de organizações místicas, quanto às maneiras pelas quais concebem como devem transmitir seu conteúdo. Temos o conhecimento de determinadas organizações místico-filosóficas cuja transmissão dos ensinamentos ocorre de modo mais restrito, mas existem também aquelas que prezam pela divulgação irrestrita dos conhecimentos transmitidos, assim como as que são intermediárias nesse sentido, pois não são fechadas de fato, nem abertas.

A este respeito, atua uma Ordem hermética que zela pela sua não-exposição nominal, nem mesmo pelas mídias convencionais (internet, revistas, etc.), porque seus objetivos maiores ainda não devem ser revelados às pessoas em geral, ainda não preparadas para entender e aceitar o trabalho. Ao mesmo tempo, essa hiper-discrição age como uma das formas de evitar exposições inoportunas e até mesmo perigosas. Então, neste caso, falamos de uma Ordem "hiper-discreta", ou, simplesmente, "secreta". Existem outras, porém, que são conhecidas do público, se fazem revelar pelas mídias. Mesmo assim, são instituições parcialmente expostas, porque zelam pela proteção de seus rituais internos, de determinados ensinamentos transmitidos e também de seus membros, por motivos variados, inclusive relacionados a perseguições dogmáticas. Como, neste caso, são organizações divulgadas, não são, portanto, "hiper-discretas" ou "secretas", mas, "discretas" ou "semi-secretas".

De fato, como dissemos, existem grupos herméticos em atividade. Além daqueles que não se expõem publicamente, sabemos de alguns que atuam em variadas mídias. Mesmo na internet, por exemplo, em redes sociais, existem grupos sérios, embora ainda sejam tão poucos. Nessa mídia, a maioria dessas organizações se faz sentir claramente, em status "público" ou até mesmo "fechado", mas, em ambos os casos, sendo visíveis pelas pessoas em geral. Contudo, nesse espaço, existem alguns grupos, bem mais restritos, os quais decidem pela maior restrição da sua visibilidade nas mídias em geral, mesmo em redes sociais. Optam, por conseguinte, por agirem em status "secreto", devido a determinados motivos, a saber: i) Na presente humanidade, a maioria das pessoas ainda está profundamente enraizada em suas variadas crenças, tomando-as amiúde como "realidades absolutas"; ii) Pelo primeiro motivo, no atual as crenças, sobretudo quando consideradas muito "diferentes" dos ensinamentos herméticos, tendem a gerar intensos choques existenciais na pessoa, o que certamente perturba sobremaneira sua pretensa sanidade mental; iii) A maioria das pessoas apresenta fraquíssima base de estudos filosóficos genéricos e científicos, motivo pelo qual reforçam suas crenças doutrinárias, o que, no Hermetismo, não ocorre, devido ao alto teor de desconstrução-reconstrução conceitual da análise, a qual com frequência dialoga com a ciência oficial, mas eventualmente contestando-a; iv) A Conjura do Silêncio[1], que desde os derradeiros momentos da Atlântida platônica[2] tem atuado neste planeta, ainda considera os ensinamentos herméticos "perigosos" para a manutenção dos interesses de manipulação e alienação comportamental da sociedade. Além disso, ocultamente a serviço de forças detratoras interdimensionais, a Conjura tem procurado reforçar a ignorância das pessoas diante dos ensinamentos que transmitimos para, assim, mantê-las presas à "roda das encarnações", mormente motivada pela sensação de "culpa pessoal".

A Conjura tem especificamente atuado no sentido de gerar o medo e a culpa nas pessoas, os quais são aliados da ignorância. Temos conhecimentos de ataques constantes da Conjura contra aqueles que ousam não apenas a estudar o Hermetismo, mas também a transmiti-lo. Os grupos que resolvem ensinar esses conhecimentos, sobretudo quando são mais conhecidos do público, tornam-se mais propensos às investidas espúrias do Obscurantismo. Por isso, essas organizações místicas geralmente optam por ensinar em uma reserva ainda maior do que a normalmente considerada, de maneira a os preservarem e a conseguirem transmiti-los às gerações vindouras.

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[1] A "Conjura do Silêncio, ou "Obscurantismo", representa os interesses pessoais, em praticamente todos os ramos da sociedade, no sentido de não divulgar e até mesmo eliminar determinados ensinamentos, sobretudo os que versam sobre a escravidão mental do indivíduo e sobre como libertar-se desse condicionamento.

[2] A "Atlântida platônica" simboliza os derradeiros anos em que floresceu essa civilização, tal qual foi descrita por Platão [427-348 a.C.], na obra Timeu e Crítias.

Contato: peregrinisantiago@yahoo.com

Os Dois Princípios Cósmicos

JOSÉ LAÉRCIO DO EGITO  F.R.C.

"É absolutamente necessário que nos persuadamos da existência de Deus, 
mas não é igualmente necessário que o demonstremos".
— I. Kant.
Tema 5
1976 - 3329

No Cosmos[1] somente existe uma “essência” suscetível de vibrar, que é inerente ao Ser Supremo. Aquela “essência” vibratória constitui tudo o que existe, embora ela não revele diretamente a sua própria natureza, por isso a sua existência ainda não é suspeitada pela ciência atual. Trata-se de algo indetectável, tanto direta quanto indiretamente. Porém, mesmo que a sua verdadeira natureza ainda seja desconhecida, é possível se ter ideias de alguns dos seus atributos[2]. Sabe-se que essa essência é o princípio de tudo aquilo que existe, quer em nível material, quer em nível energético. Alguma coisa só se manifesta quando ela entra em vibração, e, no Cosmos, aquela “essência” é unicamente o que é passível de vibrar.

Tomemos um exemplo analógico para facilitar o entendimento do que vamos expor. Suponhamos uma lâmina metálica flexível presa por uma de suas extremidades a um suporte, e apliquemos nela uma pressão sobre a outra extremidade. Em seguida, liberemos ela bruscamente. Então, aliviada da flexão, a lâmina começará a oscilar – vibrar. Com a lâmina em repouso nada acontece, porém, se uma força atuar desviando uma das extremidades da posição de repouso, ela começará a vibrar, e, conforme o número de oscilações por segundo, haverá a produção de um determinado efeito sonoro. Se fosse possível ir aumentando indefinidamente as oscilações da lâmina, depois do som iriam aparecendo outras das manifestações existentes no Universo; desde as radiações até a própria matéria. Um elétron é algo que vibra 10²³ (1 seguido de 23 zeros) vezes por segundo. Quando a lâmina estivesse vibrando nesse imenso número de vezes por segundo, ela emitiria tão somente elétrons (evidentemente que uma lâmina metálica não se prestaria para uma experiência dessa natureza, porque ela não suportaria tal nível de oscilação). Para muitos níveis de vibração, existem dispositivos adequados para detecção de muitos índices vibratórios. A própria constituição material da lâmina nada mais é do que o resultado da oscilação de alguma outra coisa.

Do que foi dito surgem as seguintes indagações:
1ª) Qual o elemento vibrante absoluto, aquilo que vibra para que tudo possa existir?
2ª) O que impulsiona esse elemento?

No exemplo da lâmina em oscilação, temos a considerar:
A – Um agente ativo (uma força) capaz de iniciar ou de alterar a frequência das oscilações de outro elemento.
B – Um agente passivo que oscila, que vibra (no exemplo é a própria lâmina).
C – Um som resultante da interação desses dois elementos.

Em resumo: No Cosmos há um meio básico, cuja natureza íntima não podemos entender, apenas podemos descrever como um princípio básico suscetível de vibrar sob a ação de um elemento ativo, que determina a vibração, e originando sempre alguma coisa, cuja natureza depende unicamente da frequência oriunda daquela interação.

O querer compreender o Poder Superior, o Absoluto, em sua totalidade, é impossível à mente limitada dos seres, desde que estes têm natureza relativa, e o relativo não pode compreender o absoluto; a parte não pode entender o todo. Mas, mesmo assim, se pode ter ciência de alguns dos atributos do Absoluto. Mesmo que não saibamos, em essência, o que seja esse “meio básico primitivo”, é possível conhecer alguns dos seus atributos. Já sabemos que a “essência” é a geratriz de tudo que existe, desde que algo seja capaz de movimentá-la, de fazê‑la vibrar com uma frequência adequada.

Consideremos a “essência” como sendo um princípio passivo (passivo porque ela necessita de outro agente para fazê-la vibrar, necessita de um agente ativo para com ele interagir). A vibração do elemento passivo é a causa geradora de todas as coisas existentes. No exemplo que demos anteriormente, chamemos a lâmina de condição B, e aquela força que a faz vibrar de condição A. Da ação da condição A sobre condição B – a lâmina – surge o som, que é a condição C. Para que exista o som – condição C – faz-se necessária a interação entre as duas condições – A/B → C.

O que faz as coisas parecerem-se diferentes entre si é tão somente a variação entre suas frequências vibratórias. Em princípio o universo tem somente dois elementos primordiais: um é aquele algo que vibra e o outro aquele algo que determina a vibração, portanto podemos considerar um ativo e o outro passivo.

Antes do início das coisas criadas, só existia o “NADA” – Inefável – no qual as duas condições mencionadas estavam contidas. Isto, na simbologia numérica, é o absoluto, o “zero”. Assim, podemos dizer que no “Zero” existem, em potencial, três atributos: Um ativo, outro passivo, e mais um terceiro que promove a interação dos dois outros. O terceiro princípio, que faz com que os dois outros princípios interajam entre si, é considerado como o Querer Cósmico. Por isto se pode dizer que é da interação desses três “Atributos Primordiais” que resulta o Universo Imanente – Mundo Creado.

Existe uma gravura esotérica (figura 1) muito antiga, que mostra um instrumento de uma só corda – Monocórdio. Conforme se pode ver na figura, em torno do instrumento há inúmeros semicírculos, onde estão inscritas as várias forças da natureza, em suma, onde está explícito tudo o que existe, quer como formas materiais, quer como forças naturais. De uma nuvem sai uma mão que aperta a cravelha do instrumento. À medida que se aperta a cravelha do instrumento, a corda vai se tornando mais tensa, e, consequentemente, sendo emitidos sons cada vez mais agudos. O apertar a cravelha equivale a emitir vibrações de frequências mais elevadas. Se fosse possível a existência de tal “monocórdio cósmico”, capaz de gerar todas as vibrações possíveis, na medida em que fosse sendo aumentada a tensão da corda, iriam surgindo seguidamente: sensações táteis, som, luz, ondas radiofônicas, ondas de televisão, micro-ondas, radar, prótons, elétrons, matéria, e mais todos os níveis de emanações cósmicas. Em suma, todas as coisas que existem no universo iriam surgindo, na medida em que a frequência fosse progressivamente aumentando.

No exemplo do monocórdio, a corda corresponde à condição DOIS, a mão que aperta a cravelha à condição UM, e o resultado disto a condição TRÊS. Já aqui temos também uma trindade, porém já de nível inferior, material.

O universo teve o seu Arquiteto, teve uma origem a que chamam de DEUS, e não somos tão ingênuos a ponto de tê-Lo como um ser antropomórfico – de forma humana – e muito menos de admitir que Ele, para construir o mundo, empregou as mãos ou quaisquer instrumentos. Sabemos que Ele o construiu com o poder de Sua vontade, com o poder daquilo que podemos chamar de QUERER DA MENTE[3] DIVINA. Foi o “QUERER CÓSMICO” quem atuou sobre a “Essência Cósmica”, fazendo-a vibrar, e originando assim tudo o que existe.

QUERER DE DEUS (CONDIÇÃO UM)  ESSÊNCIA DE DEUS (CONDIÇÃO DOIS) = CONDIÇÃO TRÊS (UNIVERSO CREADO).

Eis uma das razões pelas quais o número três, e sua representação gráfica – o triângulo – são sagrados para diversas Escolas Místicas. O princípio ativo do Creador – ponto UM – agente ativo (primeiro vértice do triângulo), agindo sobre o elemento dois – Essência Primitiva, passiva – segundo vértice do triângulo – gerou as coisas existentes constitutivas do Universo.

Como se pode notar, a mais elevada das Trindades tem necessariamente o vértice para cima, enquanto que o triângulo representativo das coisas criadas tem o vértice para baixo. (Vide o desenho.)

Pelo que dissemos, é fácil se entender por que os antigos místicos diziam ser o triângulo uma representação sagrada do Ser Supremo, por nele estarem explícitos os dois princípios cósmicos da Divindade e a Sua manifestação.

Os antigos já diziam que o Supremo Creador era masculino e feminino, para algumas “Escolas de Mistérios do Antigo Egito” RA e MA configurando NUT. Com isto não queriam dizer que Deus fosse um ser bissexual, hermafrodita, como afirmam alguns que não compreendem as coisas em níveis mais elevados, mas sim um Poder Absoluto manifestável pela interação de dois princípios básicos – RA e MA.


O PRINCÍPIO FEMININO (MA)

Já temos condições de sentir que, antes da existência das coisas creadas no universo, já havia algo integrante do próprio Creador. Existia uma quantidade ilimitada de MA, algo suscetível de vibrar, do qual se originaram todas as coisas. No universo, na realidade, em essência só existe MA. As coisas, por mais diferentes que sejam, basicamente são uma só, e toda diferença se deve apenas ao nível de vibração, portanto MA é a geratriz (= geradora, mater, mãe) de todas as coisas existentes, e que, por ser geradora, pode ser considerada uma qualidade feminina do Supremo Ser – Mater Cósmica – Mãe Cósmica.

Antes de o universo detectável existir, quando só existia MA, não podia haver fluxo de tempo, porque não havia fenômenos de quaisquer naturezas para serem medidos, fenômenos para serem situados, localizados, e, consequentemente, a ideia do fluir do tempo. Também não podia haver espaço por inexistir qualquer coisa para ocupá-lo. Como consequência da inexistência do “fluir do tempo”, MA não pode haver tido princípio, pois tempo é função do espaço, e espaço é função das coisas existentes nele. O tempo relativo não pode fluir sozinho num universo vazio, pois não é ele quem “passa”, quem “flui”, e sim as ocorrências.

Essa ideia de eterno que afirmamos para MA – também para RA – é muito difícil de ser descrita, mas o iniciado pode sentir isto em meditação ou em outro estado ampliado de consciência. MA sempre existiu, mas, antes da creação, no universo, nada acontecia, nenhuma coisa, nenhum fenômeno, nenhum evento se fazia presente. Não havia eventos, não havia percepção de tempo, e, não havendo a percepção de tempo, só restava o Eterno, o Imutável, o NADA – origem, princípio, geratriz, natureza atemporal e inespacial. Imperceptível por não haver meios de detecção e nem consciência individualizada para registrá-lo.

Antes que as coisas existissem, existia o Poder Superior, compreendendo uma “Matriz Geradora” = MA, e um “Poder Gerador” = RA, manifestando-se em uníssono, formando uma Trindade Transcendente, uma das que existem além do nível da Creação, primeira das Trindades existentes. Como o UM é a origem geradora de tudo, com certeza RA e MA podem ser considerados como “inerências”, “atributos” do próprio Poder Superior. Numa analogia singela, podemos dizer que são como três palitos de fósforos unidos em uma só chama. São TRÊS em existência, e apenas UM em manifestação; três fósforos e uma só luz.

No exemplo que demos no início, usamos uma lâmina metálica para explicar o processo das vibrações gerando todas as coisas. Vimos que uma lâmina metálica naturalmente não pode gerar todas as frequências possíveis, tal como qualquer outro material ou instrumento, porque a própria matéria já é o resultado de algo que vibra. Mesmo que hipoteticamente um instrumento material gerasse todas as frequências, ele não poderia gerar a frequência de si mesmo, pois coisa alguma gera a si própria. Sabe-se que coisa alguma é capaz de gerar a si própria, uma coisa sempre é gerada de outra, um efeito sempre tem uma causa, isto é a regra. Por certo, a geratriz básica primitiva não teve início, nunca foi gerada, assim ela deve ser totipotente, por ser capaz de vibrar na frequência de qualquer coisa, tanto podendo criar quanto modificar tudo quanto há.

Com este raciocínio chegamos inevitavelmente à ideia de MA. No exemplo da lâmina, MA corresponderia à lâmina onde primeiro surgiria a sensação táctil, a seguir a sensação sonora, e, à medida que a frequência – número de oscilações por segundo – fosse aumentando, iria surgindo tudo o que existe.

Antes do início de tudo, havia uma situação de repouso, apenas em estado potencial, sem vibração alguma, portanto sem coisa alguma. Em tal condição, nada podia existir, nenhuma creação. A rigor, não se pode empregar a palavra “nada”, pois algo evidentemente existia, de forma imanifesta. Existia a “essência”, mesmo que ela fosse totalmente indetectada, desde que não se manifestava de forma alguma, pois qualquer manifestação é resultante de alguma alteração ou da geração de alguma frequência da Essência Básica. Não havendo variação de frequência, nada poderia ser detectado por quaisquer meios habituais. Algo que não se manifeste por quaisquer meios é como se não existisse, mesmo existindo – Vazio Quântico. Portanto, antes da Criação do Universo, a “Essência” existia em certo sentido, mas era totalmente imanifesta, inconcebível para nossa compreensão, portanto comportando-se como algo inexistente, como um nada.

Uma ideia bem singela, que pode ser tomada como analogia, é o ar. Percebe-se o ar pelos seus efeitos quando ele é agitado, movimentado. O ar parado é praticamente indetectável sensorialmente. Devemos entender que até o ar respirado só e detectável pelo movimento imposto pelo tórax.

Para concluir, diremos que toda forma de existência deriva do NADA, portanto o NADA é TUDO e o TUDO é NADA. Dentro do Universo podemos dizer que tudo tem origem no UM, portanto que UM é Tudo e Tudo é UM.

Além do Universo, Tudo é ZERO em sua realidade absoluta, em sua essência íntima e fundamental. Por outro lado, dentro da Creação, “tudo está contido e sustentado pela unidade, tudo se conserva, vive e existe pelo UM; tudo se dissolve e desaparece na Unidade.” (Citação de A. Levini.)

Se não entendermos bem a base metafísica do Universo, é impossível entender também o esoterismo, a ciência de DEUS; por esta razão, antes de iniciarmos nossos estudos esotéricos de nível elevado, numa série grande de palestras, inicialmente, apenas estudaremos a natureza das coisas e os sistemas místico-religiosos.

A pessoa que não tiver um mínimo essencial de conhecimentos esotéricos não pode entender os grandes mistérios, nem sequer entender certos textos em que tudo é descrito de uma forma que mais parece um jogo de palavras.

Quando nada existia, já havia MA e RA. Não há o vazio absoluto, pois sempre há MA. Em um “local” qualquer do Cosmos, mesmo que qualquer coisa ali não se manifeste, ainda assim existe a “ESSÊNCIA PRIMEIRA” – MA.


O PRINCÍPIO MASCULINO (RA)[4]

Este princípio[5] apenas pode ser sentido e não descrito. Descrevê-lo é algo impraticável. Para explicar o Princípio “Feminino” é possível se fazer uso de alguma analogia, como a da lâmina, por exemplo, mas, para explicar o Princípio Ativo – RA – não se dispõe de um exemplo adequado, desde que coisa alguma se presta para transmitir, mesmo que vagamente, aquilo que representa RA. Somente no exemplo da lâmina, ou do monocórdio, temos uma vaga compreensão daquele princípio. No máximo podemos dizer que RA seria a força impulsora que toca a corda, ou que flexiona a lâmina.
Sabe-se que RA é uma condição capaz de provocar ou de alterar a vibração de MA, portanto pode ser definida apenas como uma “força”, assim ela é Um Poder Superior em manifestação.

Sabe-se que a creação é tudo aquilo de que se tem consciência[6], e só aquilo que vibra é passível para ser, de alguma forma, evidenciado. Portanto, para nós, a creação é MA em diferentes níveis oscilatórios, e a causa impulsora determinante das vibrações é RA, um dos Princípios atribuídos a DEUS. Portanto DEUS + RA + MA formam uma das primeiras e maiores Trindades. Mas, embora se apresentem como três aspectos, na realidade dois deles – RA e MA – são aspectos, são qualidades, da própria natureza do Poder Superior.

Concluindo esta palestra, diremos que, em essência, não se sabe o Que é o Princípio Cósmico RA citado, porém podemos, limitando-o, compará-lo com o Querer Divino, partindo do seguinte raciocínio: O Supremo Creador não utilizou qualquer órgão, ou instrumento, para efetivar a creação, portanto o impulsor da criação foi o puro Querer.

“FAÇA-SE A LUZ E A LUZ FOI FEITA.”  A Consciência Cósmica creou a partir dela própria, pela ação de RA sobre MA.

Antes daquele momento que a ciência chama de “Ponto de origem do Big Bang”, e que as doutrinas místicas chamam de “Fiat Lux”, coisa alguma existia do que se pode racionalmente conceber. Por mais que se tente entender sobre a causa primeira da existência, o máximo possível é dizer que algo Inefável – aquilo que não se pode definir – sempre existiu.

Por várias razões, que serão estudadas em muitas palestras, será enfocada alguma hipótese, faremos algumas conjecturas de por que o Inefável haver se tornado manifesto, mas antes é preciso que muitos conhecimentos preliminares sejam transmitidos.

Esquematicamente, podemos dizer que, visando um entendimento preliminar, o processo da creação pode ser representado conforme a figura 2.

Quando a vibração de MA se fez sentir, então se estabeleceu a creação. Creação implica em se designar algo, e, no caso considerado, é tudo aquilo que compõe o mundo. Naturalmente que no “primeiro momento” – como afirma a própria ciência – tudo quanto existe no mundo estava contido num ponto, assinalado na figura como “Fiat Lux”, a partir do qual houve uma expansão – espaço – no qual todas as coisas se situaram.

A expansão a partir do Fiat Lux[7] não ocorreu de forma aleatória, ela se fez segundo uma sequência sétupla, processo que pode ser representado pelo clássico esquema conhecido pelo nome de “Árvore da Vida”.

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[1] A V∴O∴H reserva os termos Universo – para indicar o mundo creado, este mundo surgido após o “Big Bang” = “Fiat Lux”, e Cosmos – para indicar a totalidade, o creado e o increado. Quando fala de dois mundos, o faz apenas como forma didática. Considera “Mundo Transcendente” – o que transcende à creação – e o “Mundo Imanente” – o que existe como resultado da creação. O termo cosmos representa os dois mundos juntos.

[2] A ciência oficial já esteve bem perto de registrar esse conhecimento, quando foi aventada a hipótese do “ÉTER UNIVERSAL”, posteriormente afastada.

[3] O termo “mente” não é bem adequado para expressar o Poder Creador, pois, no mais alto nível, a rigor não existe qualquer atributo que possa caracterizar uma mente. Isto nós veremos em temas futuros.

[4] Falamos de Princípio Masculino e de Princípio Feminino, mas deve ficar bem claro que isto nada tem a ver com o sentido de sexualidade, não são sexos de Deus, e sim polaridades abrangentes, das quais o sexo é parte mínima.

[5] A palavra “Princípio” não tem aqui o sentido de lei física, mas sim de algo primordial.

[6] A V∴O∴H não usa este termo apenas no sentido de “se dar conta de”, mas também no de existir como coisa. A consciência sempre está presente, desde uma partícula até o macrocosmo. Tudo é constituído de consciência, expressa sob um incomensurável número de formas.

[7] Representado na “Árvore da Vida” pelo sephirah KETHER.